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Corinthians empata com São Paulo e garante título do Rio-SP
Ficha técnica de TIMÃO CAMPEÃO x São Paulo timinho
Corinthians: Dida, Rogério, Fábio Luciano, Ânderson e Kléber; Fabrício,
Vampeta e Ricardinho; Deivid, Leandro (Renato) e Gil. Técnico: Carlos Alberto
Parreira.
São Paulo: Rogério Ceni, Belletti, Reginaldo, Jean e Gustavo Nery; Fábio
Simplício (Júlio Baptista), Maldonado, Adriano (Souza) e Lúcio Flávio; Kaká
e Reinaldo. Técnico: Nelsinho Baptista.
Gols:Reinaldo, aos 2 minutos do primeiro tempo e Rogério, aos 32 minutos
do segundo tempo.
Cartões amarelos:Fábio Luciano e Gil (Corinthians), Maldonado e
Reginaldo (São Paulo)
Árbitro:PauloCésar de Oliveira (SP), auxiliado por Ednílson Corona e
Marinaldo Silvério (SP).
Renda:não divulgada.
Público:53.414
Local:estádio do Morumbi, em São Paulo
Data:12/5/2002
Corinthians conquista o Rio-São Paulo pela quinta vez
O time mais disciplinado venceu o Torneio Rio-São
Paulo de 2002, eternizado desde já como o "campeonato dos cartões".
Sob o comando do sereno Carlos Alberto Parreira, o Corinthians empatou com o São
Paulo neste domingo em 1 a 1, no placar, e em 2 a 2, nos cartões amarelos, e
conquistou pela quinta vez em sua história o título do mais tradicional
interestadual do país -já havia ganho em 1950, 53, 54 e 66.
O torneio foi ainda mais valorizado neste ano por tomar o espaço dos dois
principais Estaduais do país. A competição inchou em sua 24ª edição,
dobrando de 8 para 16 o número de participantes. A continuidade do Rio-São
Paulo nos mesmos moldes deste ano ainda está sendo discutida.
A equipe do Parque São Jorge acabou sendo campeã pelo critério técnico, pois
havia vencido o primeiro confronto com o São Paulo por 3 a 2.
Se o time do Morumbi tivesse vencido por um gol de diferença -placar mantido até
os 34min do segundo tempo-, a decisão, devido ao polêmico regulamento da
competição, sairia no número de cartões mostrados pelo juiz.
Como ambos tiveram quatro amarelos cada na fase final, o Corinthians levaria o título
por ter sido a equipe de melhor campanha na primeira fase. O time de Parreira
somou 31 pontos e superou o Palmeiras no saldo de gols.
Na parte disciplinar, na primeira fase, os corintianos haviam recebido 23 cartões
amarelos e um vermelho. O São Paulo levou 38 amarelos e oito vermelhos.
Os são-paulinos, no entanto, eliminaram Palmeiras nas semifinais por terem
sofrido menos amarelos nos dois jogos da fase.
O título premia a melhor equipe do torneio tanto tecnicamente como
disciplinarmente e, mais especialmente, o treinador que levou a seleção
brasileira ao tetracampeonato. Após o título mundial nos EUA, Parreira assumiu
vários clubes no país, como São Paulo, Fluminense, Atlético-MG, Santos e
Internacional, mas não obteve títulos de expressão.
O Corinthians empata agora com Palmeiras e Santos em número de títulos do
Rio-SP -os três são os maiores vencedores da competição, que neste ano não
teve cariocas na fase final. Na quarta-feira, o time decidirá a Copa do Brasil
com o Brasiliense, no DF.
Timão quebra jejum de 36 anos no Rio-SP
O título do Torneio Rio São Paulo de 2002
colocou o Corinthians no topo da lista dos maiores vencedores da competição.
Ao lado de Santos e Palmeiras, o time do Parque São Jorge soma cinco títulos
na história da competição, que começou a ser disputada em 1933.
O Corinthians não conquistava a competição há 36 anos. Em 1966, o Timão
dividiu o título do Rio-São Paulo com Santos, Botafogo e Vasco da Gama. Antes,
os corintianos levantaram a taça nos anos de 1950, 1953 e 1954.
Disputado desde 1993, o Torneio Rio-São Paulo não teve uma periodicidade no último
século. A competição ficou engavetada na história do futebol brasileiro
entre os anos de 1967 a 1993. Somente a partir de 1997 a competição voltou a
ser disputada anualmente. Neste ano, a competição ganhou status com a criação
da Liga Rio-São Paulo e o enfraquecimento dos estaduais dos dois estados.
"Vencer pelo Corinthians é diferente"
Um dos principais personagens da conquista
corintiana no Torneio Rio-São Paulo 2002 foi o técnico Carlos Alberto
Parreira. Depois de passagens sem brilho por grandes equipes do país nos últimos
anos, o treinador, enfim, voltou a triunfar em competições de importância no
cenário nacional.
"Vencer pelo Corinthians é diferente. É especial", comentou
Parreira.
Com uma larga trajetória no futebol estrangeiro e com ficha corrida de serviços
prestados à Seleção Brasileira, Parreira demorou para saborear novamente a
alegria de um título em solo brasileiro. A última conquista de Parreira no país
aconteceu no Campeonato Brasileiro do distante ano de 1984, com o Fluminense.
Após o empate em 1 x 1 com o São Paulo, que determinou o título corintiano,
Parreira deixou de lado a tradicional sensatez que marca sua carreira e celebrou
a conquista.
"Foi a vitória da regularidade, da equipe de melhor campanha ao longo da
competição. Nosso título foi inquestionável", comemorou.
O experiente treinador também ressaltou as peculiaridades de ser campeão pelo
Corinthians. Segundo Parreira, a torcida do Corinthians, que novamente
compareceu em peso ao Morumbi, torna a conquista especial.
Parreira passou pelo Bragantino antes de assumir a Seleção Brasileira, em
1991. Depois das Copas do Mundo de 1994 e 1998, o treinador também dirigiu o
Fluminense, São Paulo, Atlético Mineiro, Santos e Internacional. Em todas
estas equipes, Parreira não conseguiu títulos.
Parreira se emociona com a torcida do Corinthians
O técnico Carlos Alberto Parreira se emocionou
com o título do Torneio Rio-São Paulo. Depois do apito final do árbitro Paulo
César de Oliveira o treinador elogiou os torcedores do Corinthians.
"Foi a vitória da regularidade em toda competição. O título veio coroar
o trabalho que vem sendo feito. Qualquer título é especial, mas no Corinthians
é diferente. Esta torcida é sensacional. Nunca vi nada parecido na minha
vida", afirmou o treinador, emocionado.
Ricardinho diz que Rogério marcou um "golaço"
Para o meio-campo Ricardinho, o gol de empate de
Rogério na cobrança falta, aos 32 minutos do segundo tempo na final do Torneio
Rio-São Paulo, foi um golaço. O jogador afirmou ainda que este gol veio
premiar o belo trabalho feito pelo lateral no Corinthians.
"O grupo está de parabéns, em especial o Rogério, pelo gol que fez. Foi
muito importante. Foi um golaço. Agora, vamos nos superar e buscar o título da
Copa Libertadores", diz Ricardinho.
Oito corintianos festejam primeiro título da carreira
Antes valia muito. Depois virou o título mais
importante do ano. Para alguns foi o mais importante da vida, já que nunca
haviam conquistado um título no futebol profissional.
Pela primeira vez, os titulares Deivid, Anderson, Leandro e Fabrício receberam
uma faixa de campeão. Além deles, os reservas Renato, Doni, Luciano Ratinho e
Fabinho também nunca haviam sido campeões.
"Não importa o que eu ganhe daqui para frente na minha profissão. Esse título
será o melhor da minha vida. O mais inesquecível. Um presente. Não sei nem o
que faz um campeão. Grita?", disse o zagueiro Anderson.
O técnico Parreira também estava eufórico. Elogiava seus "meninos"
e dava conselhos.
"Eles ainda vão provar esse sabor muitas vezes, mas precisam ter a cabeça
no lugar. Mas também não vou ser chato dizendo. Eles tem mais que comemorar. Não
tínhamos programado nada, mas pedi a diretoria que organize uma festinha. Vamos
todos para lá", disse o treinador.
Os jogadores seguiram o conselho do técnico e comemoraram muito. O empate e o
fraco futebol apresentado não foram lembrados pelos jogadores. No vestiário,
os corintianos falavam da alegria pela "vitória" conquistada.
Lembravam que o título foi conquistado com "primor" e será o
"combustível" da próxima partida, contra o Brasiliense, pela decisão
da Copa do Brasil.
"A vontade de ganhar outro título ficou ainda maior. Quem prova (o sabor
de um título) não quer mais esquecer", disse o atacante Deivid.
Entre uma entrevista e outra, os corintianos repetiam auto-elogios e se abraçavam
muito.
"Fomos os melhores (durante a fase de classificação). Vamos enaltecer
isso. Ninguém ganha nada sozinho. Neste domingo, foi a minha vez de marcar, mas
o campeonato durou quatro meses e todos foram imprescindíveis", disse o
lateral-direito Rogério.
Nesta segunda-feira, os jogadores se reapresentam às 11h. Farão hidroginástica,
almoçarão no clube e viajarão em seguida para Brasília,
Parreira quer o time unido porque sabe que a vitória no interestadual pode
dispersar a atenção dos jogadores. "Estamos na reta final. Temos um jogo
muito mais importante na quarta, que vale vaga na Libertadores", disse o técnico
corintiano.
Corinthianos superam gripe em decisão
Em tempo de decisão, vale qualquer sacrifício. Com este lema na cabeça, dois
jogadores do Corinthians entraram em campo na final do Torneio Rio-Sâo Paulo.
Mesmo gripados, Vampeta e Ricardinho atuaram na final contra o São Paulo e
ajudaram o Timão a conquistar o título.
"Estava gripado, mas, em final de campeonato, não tem este tipo de
desculpa. Estes obstáculos precisavam ser superados", comentou Ricardinho.
Estafado ao final da decisão, o volante Vampeta reconheceu que não reunia as
melhores condições para atuar. O jogador da Seleção Brasileira sofreu com os
efeitos da gripe durante os 90 minutos da partida contra o São Paulo.
"Estava com 39 graus de febre e muita dor-de-cabeça. Foi muito difícil,
mas meus companheiros me ajudaram em campo e conseguimos sair com o título",
afirmou Vampeta.
Agora, Ricardinho e Vampeta tem três dias pela frente para tentar acabar de vez
com a gripe. Na quarta-feira, o Corinthians volta a campo para decidir a Copa do
Brasil, contra o Brasiliense, em Taguatinga.
Vampeta diz que jogou com 39 graus de febre
O volante Vampeta elogiou os companheiros
corintianos após a conquista do título da Copa do Brasil. O jogador, que
confirmou ter disputado o jogo com 39 graus de febre, acredita que os demais
jogadores conseguiram superar sua fraca atuação na partida do São Paulo.
"Fiquei com 39 graus de febre, mas a equipe me ajudou a superar este
momento difícil. Eles estão de parabéns pela superação. Fico muito feliz e
emocionado pelo título, mas um pouco chateado por não poder ajudar o
Corinthians ainda mais nesta final", afirmou Vampeta.
Gil diz que Corinthians jogou de acordo com o regulamento
O atacante Gil afirmou que o Corinthians jogou a
partida desse domingo de acordo com o regulamento do Rio-SP.
"Jogamos com o regulamento na mão. Vencemos dentro de campo. Graças a
Deus conquistamos esse título."
Gil também enalteceu a união do grupo e o treinador Parreira.
"Esse título tem a mão de Parreira, que trouxe tranqüilidade para o
time. A solidariedade do grupo é muito grande e por isso estamos conquistando
esses resultados."
Parreira diz que agora não pode mais ser crucificado por "jejum" de títulos
Campeão do Torneio Rio-São Paulo, Carlos
Alberto Parreira agora não pode mais ser "crucificado", segundo ele
próprio.
Desde 1984, quando conquistou o Brasileiro pelo Fluminense, o técnico
corintiano não ganhava um título importante no país. Em São Paulo, jamais
havia conquistado um campeonato.
"Não serei mais crucificado por isso, embora pouco me importasse. Hoje sou
campeão do Rio-São Paulo e tudo mais pouco importa. Hoje é o dia mais feliz e
importante da minha vida, mano", disse Parreira, que já esteve à frente
de Bragantino, Santos e São Paulo, mas que declarou amor eterno ao clube do
Parque São Jorge.
Indagado sobre a diferença entre ganhar com a seleção brasileira e com o
Corinthians, o tetracampeão surpreendeu.
"O título de hoje é mais importante. Estou entusiasmado demais. Contente
demais. Não vou falar de títulos do passado, só quero falar disso. Vamos
comemorar", afirmou Parreira, o primeiro a deixar o campo após a entrega
do troféu.
"Não era pressa, é que eu estava desnorteado", disse. Ele queria
falar com seus companheiros de comissão técnica. Não conseguiu. Foi parado
por uma legião de torcedores que invadiram o campo e os vestiários do Morumbi.
Quase perdeu sua medalha, mas não se incomodou. Esbanjava euforia.
"Quando cheguei aqui (em dezembro de 2001), sabia que estava assumindo um
time e uma torcida. O Corinthians é grande por causa de sua história, de sua
torcida, de seus jogadores, de seus roupeiros e de sua diretoria. Quero
agradecer a todos, que foram irretocáveis", afirmou o treinador.
Os jogadores não economizaram elogios ao treinador. Para eles, o título só
foi conquistado porque Parreira acreditou e deu força ao grupo, que estava
"derrotado" após uma vexatória campanha no segundo semestre de 2001.
"Só chegaram o Vampeta e o Fábio (Luciano, zagueiro), que estava
emprestado. Somos os mesmos do ano passado, mas demos a volta por cima. Apagamos
o 18º lugar do Brasileiro com uma campanha memorável no Rio-SP porque ele
acreditou e treinou a gente", disse o atacante Deivid, titular após a saída
de Luizão.
Leandro e Anderson engrossaram o coro de elogios a Parreira. "Ele dispensa
apresentações e, para mim, será sempre o mestre. Mais uma vez no intervalo
ele deu uma aula de tática e nós começamos a jogar", disse o atacante.
Festejado, Parreira foi humilde. Repassou os méritos pela conquista aos seus
comandados, os quais, segundo o técnico, são "homens maduros".
"Não é fácil perder a vantagem em cinco minutos de jogo. Eles marcaram
após uma falha nossa, e depois ainda tomamos um cartão amarelo. Mas nossos
jogadores não se abateram. Crescemos, empatamos nos esdrúxulos cartões e podíamos
ter empatado ainda no primeiro tempo. No segundo, fomos bem superiores."
O técnico deixou os vestiários abraçado a Antonio Roque Citadini, vice de
futebol do Corinthians, e a Alberto Dualib, presidente do clube, que foi
aplaudido.
Os dirigentes falavam em renovar imediatamente o contrato com o técnico, que
vai desfalcar o clube na fase final do Paulista e nas duas primeiras rodadas da
Copa dos Campeões porque se integrará ao grupo de consultores da Fifa na Coréia
do Sul no dia 22.
Dualib e Parreira passaram pelos derrotados são-paulinos calados. Citadini não
se conteve: "Agora a Inês é morta", disse.
Juiz 'distribui' erros
Juiz erra em lances de pênalti, mas os jogadores quase não o contestam, por medo de levar cartão
Ainda que tenha causado muito menos
polêmica do a atuação de Carlos Eugênio Simon na quarta-feira, a atuação
de Paulo César de Oliveira no clássico deste domingo foi pior. Oliveira tomou
quatro decisões polêmicas. Não marcou três pênaltis, dois a favor do
Corinthians no primeiro tempo e um a favor do São Paulo na segunda etapa. E
também marcou uma falta duvidosa no lance que ocasionou o gol de empate do
Corinthians.
No começo do jogo, a atuação de Oliveira fez confirmar os temores do técnico
corintiano, Carlos Alberto Parreira. Na sexta-feira, ele disse, em razão da polêmica
causada pela atuação de Simon, que beneficiou o Corinthians em dois lances
duvidosas na final da Copa do Brasil, que temia que na dúvida, os juízes
apitariam contra seu time.
E assim aconteceu, em todos os lances divididos, Oliveira apitava a favor do São
Paulo. Os corintianos, mesmos nervosos com a desvantagem no placar desde o
segundo minuto, evitavam ao máximo reclamar para não levar cartão amarelo.
Mas aos 4 minutos, Fábio Luciano levou após cometer obstrução em cima de
Reinaldo.
Os primeiros 15 minutos foram tensos, registrando 11 das 32 faltas da partida.
Nesse período, os corintianos sofreram dois pênaltis. Num o juiz não marcou
nada. No outro deu falta fora da área.
No segundo tempo, o juiz errou menos e beneficiou o Corinthians. Não marcou pênalti
sobre Souza e apitou uma falta duvidosa, que originou o gol do título.